Garota desafia paradigmas e joga futebol entre meninos no Nordeste – Esportes

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Garota desafia paradigmas e joga futebol entre meninos no Nordeste – Esportes



Quão importante é sonhar? Para Júlia Correia, de 10 anos, é justamente o sonho de se tornar jogadora profissional de futebol que alimenta uma rotina maluca. De viagens mensais a São Paulo, até a disputa de torneios por quatro clubes diferentes, na capital paulista e em Aracaju (SE), cidade natal da talentosa menina, ela desafia velhos paradigmas entre os garotos. Há três anos, Júlia se tornou a primeira menina na história do Nordeste a jogar uma competição entre meninos.


Mas não é apenas por quebrar as regras que Júlia ganhou atenção no futebol juvenil de Aracaju até chegar a São Paulo. A menina acumula premiações individuais, como o de destaque do ano entregue pela Federação Sergipana por suas exibições, além de conquistas como Campeonato Sergipano de Futsal e FUT7, nas categorias sub-7 e sub-8, respectivamente.


Apesar de muito nova, parece que ela está nessa estrada faz tempo, como relembra o pai, José Luiz. 


“Ela, desde os 6 anos, vinha sempre pedir para eu descer com ela até a quadrinha do prédio para jogar. Até que uma hora ela queria treinar mais e mais, e eu não conseguia acompanhar. Então resolvi testar se ela queria mesmo aquilo e a coloquei numa escolinha de futebol”, contou ao R7.









A menina começou sua trajetória no mesmo ano na escolinha do tio Edson, em sua cidade. Ao se destacar, a jovem iniciou atividades de níveis avançados no futsal pelo Rocketpower e no campo pelo Esporte Clube Delrey. Pela ausência da modalidade feminina para essa categoria, ela precisou treinar com os meninos.


“Se eu esperasse abrir uma categoria feminina da minha idade em Aracaju, estaria até hoje sem jogar”, afirmou Júlia.


Os primeiros passos no feminino


Hoje, Júlia e sua família sabem que o futuro da carreira da jovem atleta não poderá se desenvolver se a menina não jogar entre outras garotas, em categorias femininas. Por conta disso, José Luiz, explica que levou a filha para fazer um teste no Centro Olímpico de São Paulo, uma referência no futebol feminino de base. 


“Uma coisa que a gente começou a se preocupar é saber o quanto ela vai conseguir acompanhar os meninos, a gente sabe que essa dificuldade vai aumentar. Então foi quando eu pensei no Centro Olímpico. Ela fez uma peneira lá e conseguiu passar. E aí o Centro Olímpico permite que a gente vá treinar uma semana por mês”, contou o pai. 



Será apenas aos 13 anos que as viagens mensais a São Paulo darão lugar a mudança de vez para a capital paulista. No entanto, José Luiz e toda família tem paciência e querem tomar essa decisão apenas quando Júlia estiver pronta, e puder decidir por si mesma.


“Com 13 anos eles exigem uma quantidade maior de presença e aí a gente vai ter que ver de morar em São Paulo”, afirmou. 


Tenha referências até se tornar uma


Como muitas meninas que sonham em se tornar jogadoras de futebol, a Rainha Marta é a grande ídola de Júlia, que também se inspira em Érika, zagueira do Corinthians e da seleção brasileira. As referências da menina não são por acaso, já que ela joga de meia, no campo, e de fixo, no salão. Ou seja, Júlia se sente confortável tanto atuando pelo meio, quanto mais recuada.



“Ela se diverte jogando bola e a evolução é nítida. Tenho muito orgulho da minha filha. Tenho certeza de que lá na frente ela vai colher o que está plantando, assim como a geração de Marta, Formiga e Cristiane. Ao mesmo tempo, sinto pelas outras que não tiveram a mesma oportunidade que Júlia tem. Se olhassem com bons olhos, o futebol feminino estaria em um outro nível”, analisou o pai da menina. 


Marta, eleita seis vezes a melhor jogadora de futebol do mundo, inclusive, já gravou um vídeo para a pequena atleta. Na mensagem, a Rainha pede que a menina não desista do seu sonho.







Apesar da pouca idade, o enorme talento e força de vontade na busca do sonho se tornaram inspiração para outras meninas que também têm o mesmo sonho.


“Eu fico muito feliz por representar as meninas no futebol e por fazer com que elas sigam seus sonhos. Eu recebo muita mensagem de mulheres e meninas que começaram a jogar por minha causa. Eu só espero que tenha cada vez mais oportunidades para meninas entrarem no futebol, porque nós estamos buscando o nosso espaço. As mulheres também podem jogar futebol, não pode achar que a gente só pode fazer balé ou brincar de boneca. Tem que fazer o que gosta”, completou Júlia, que tão cedo já faz história no futebol brasileiro.


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